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quinta-feira, 1 de março de 2007

E.T. phone home

Moçambique já foi considerado o país mais pobre do mundo.
Nos dias que correm não será o mais pobre, mas continua a ser dos mais pobres do terceiro mundo.

São aos milhares os que lutam diariamente pela sobrevivência em Maputo.
Tudo serve para ganhar alguns meticais e a grande maioria da população sobrevive à custa de pequeno comércio nos passeios e bermas das estradas.

Exemplos disso são os telefones móveis públicos.
Tratam-se de pequenas banquinhas, estrategicamente instaladas à beira das estradas e nos locais mais movimentados, com um telefone fixo e um contador de impulsos.
Na realidade o telefone está ligado a um sistema que é nada mais nada menos do que um telemóvel, alimentado por uma bateria.
Estas banquinhas, ou mesinhas, com um guarda-sol cor-de-laranja, são os telefones públicos mais abundantes na cidade.


O guarda-sol é imprescindível por dois motivos: ora para segurar o cabo que serve de antena, ora para proteger dos incansáveis raios solares.
E por falar em calor, aqui fica uma imagem do termómetro do jipe lá da empresa à hora do almoço.

E já estava 2 graus mais "fresquinho"!
Quando entrámos marcava 53º.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

A Mansão

Estou sem inspiração!
Ando sempre a mil e cheio de imaginação, mas a verdade é que não encontro nada de especial para contar.
Posso sempre falar sobre trabalho, que tem corrido melhor do que eu previa inicialmente, e por isso estou bastante satisfeito. Ou então, enquanto a musa não aparece para me ajudar, posso mostrar-vos a minha mansão:


Viver num hotel até tem as suas vantagens.
Pequeno-almoço farto, quarto arrumadinho, vista para o mar...
Quanto à piscina, só de pensar até fico doente.
Só lá fui duas vezes e já cá estou à mais de duas semanas!
Se pelo menos tivesse luz à noite, sempre dava umas braçadas. Sim, porque à noite continua a fazer bastante calor.

Nos entretantos vou fazendo planos para o próximo fim-de-semana.
As opções são:
- Kruger Park: conhecer os famosos animais africanos;
- Bilene: praia;
- Ilha de Inhaca: praia.

A escolha não está fácil!

domingo, 11 de fevereiro de 2007

3, 2, 1, Contact!

A cultura portuguesa está fortemente enraizada em Moçambique.
Ainda é cedo para ter uma percepção pessoal sobre a opinião dos moçambicanos em relação aos portugueses.
Mas a verdade é que tenho encontrado bastantes portugueses que por aqui ficaram a viver.

Grande parte, ou mesmo a maioria, da hotelaria em Maputo é de portugueses.
Encontram-se todos os nossos pratos tradicionais, mais os moçambicanos é claro.
No desporto os "três grandes": FCP, SCP e SLB (ordem completamente aleatória), são seguidos atentamente, da mesma forma que os portugueses o fazem.

Várias empresas lusas continuam a apostar neste mercado e cada vez mais jovens portugueses se mudam para cá de malas e bagagens.

Exemplo disso são os ex-contactos que se estabeleceram por cá. (www.networkcontacto.com)
Por motivos profissionais, propostas irrecusáveis ou pelo amor à terra, inegável é a presença deles por cá.

Conheci alguns "ex" e novos contactos neste fim-de-semana.

Depois de um jantar no Waterfront fomos para uma festa na praia.
Quando chegamos estava vazia, mas depois da meia-noite parecia prometer. Até que começou a chover a potes!
Já durante o jantar os relâmpagos ameaçavam ao longe.

Nem imaginam como é a trovoada por estas bandas. Ainda para mais nesta época das chuvas.
Imaginem sucessivos clarões de relâmpagos à vossa volta durante 30 minutos e terão uma pequena ideia.

Molhados que nem pintos, lá rumamos para... a Coconuts!

Desta vez não havia espectáculo, mas a discoteca estava demasiado vazia para o meu gosto.
Ainda assim deu para ver algumas bundas africanas a abanar!

Festa na praia - panorama à chegada.
Acreditem que até acabou por se compor um pouco.

Coconuts Live


Hoje à tarde

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Chapa

Moçambique tem entre 18 e 20 milhões de habitantes, dos quais 4 milhões vivem em Maputo.
Grande parte da população refugiou-se na cidade pela altura da guerra, por aqui ficando em casas improvisadas ao estilo das favelas brasileiras.

Os transportes públicos são praticamente inexistentes e o meio de transporte mais utilizado é o "Chapa".
Ainda não percebi muito bem que tipo de veículo é considerado chapa!
Sim, porque afinal de contas qualquer veículo com mais algum espacinho livre serve para levar mais "uns quantos".
As Toyota Hiace reinam e proliferam como cogumelos.
Normalmente têm percursos pré-definidos indicados nos vidros e uma viagem custa entre 7,50MT e 10MT ( 1€ = 33MT - Meticais).
A seguir às Toyota Hiace existem também carrinhas de maior dimensão, que parecem ser autocarros, e os chapas de caixa aberta.

Se acham que os tugas conduzem mal, deviam ver os moçambicanos.
Então os condutores dos chapa...
Aqui é mesmo preciso tê-los no sítio para conduzir.
Ultrapassagens loucas são banais. Passa o que tiver mais convicção e conseguir que o outro abrande, ou desvie.

Apesar de tudo e por incrível que pareça, ainda só vi um acidente.
É obra!



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

O 8º hóspede

Este é o "pequeno" 8º hóspede, que conheci este fim-de-semana no hotel.

Eu calço o nº 42/43!

Rain spider

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Coconuts Live

Entrar pela primeira vez numa discoteca africana foi uma verdadeira experiência.

Tinha muita curiosidade para conhecer a noite africana.
Como seria uma discoteca local, como seria a dança e que tipo de música tocaria, eram o tipo de coisas que tentava imaginar.

Coconuts Live era o nome da discoteca. Não era uma noite normal, já que vários cantores iam actuando ao vivo e todos assistiam aos espectáculos.

Assim que entrei aconteceu algo que nunca esperava.
Depois de uma semana em Moçambique, senti-me como se de um momento para o outro estivesse noutro planeta.
Ali era o centro das atenções, apenas pela cor da minha pele.

Não sei o que outras pessoas terão sentido quando chegaram a países africanos, ou em situações idênticas. Mas sei bem o que senti nesta noite.
Nunca tive qualquer preconceito com pessoas de outras raças, muito pelo contrário, sempre senti atracção e curiosidade.
Mas durante aquelas horas, lembrei-me várias vezes de um colega meu que é negro. Vi-me de repente na pele dele!
Foi uma sensação estranha sentir que era diferente de todos à minha volta. Deu-me uma visão completamente nova do significado da palavra racismo...

Cores à parte, não me falta vontade de lá voltar quando não houver espectáculo, para então poder ver o povo a dançar.

Av. 24 de Julho

Feira no centro de Maputo

Os moçambicanos são piores que os marroquinos a vender. Mesmo chatos!

Artesanato local em frente ao restaurante Sagres


Era uma vez um vegetariano...
Não consegui resistir!

Praia em frente ao restaurante Sagres

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Time Machine

Sair do avião em Maputo foi como sair de uma máquina do tempo.
Sem entrar em pormenores históricos, que na minha humilde opinião em muito pouco enaltecem o povo português, depois da exploração da colonização, devastação das guerras e sujeito aos caprichos da natureza, Moçambique é um país que tenta sobreviver e, aos poucos, vai solidificando uma aparente estabilidade.

Muita pobreza, degradação e lixo são uma constante. Mas ainda assim se consegue sentir o pulsar de uma grande cidade.
Na realidade todos procuramos o mesmo nas cidades em qualquer parte do mundo: comida e melhores condições de vida. Nada mais básico, pois no final tudo se resume a estes dois objectivos e tudo o resto é acessório.
Para nós que vivemos em cidades desenvolvidas talvez isto não seja tão claro, pois os que passam fome são uma minoria e os nossos sonhos estão a anos luz dos moçambicanos.

Tem sido mais uma lição de vida daquelas!




Av. 24 de Julho (a maior da cidade)

Av. 24 de Julho

Transportes para todo o país


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Aqui os papéis invertem-se:

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Maputo Connection

Sempre tive uma atracção enorme pelo desconhecido e foi desde muito novo que comecei a criar o gosto por viajar.
Primeiro com a famelga nas férias do Verão e as viagens de estudo da escola, e mais tarde na Universidade com os programas comunitários ERASMUS (Bélgica) e Leonardo da Vinci (República Checa).

Depois de 2 anos consecutivos a terminar os estudos no estrangeiro, fazendo estágios em empresas e numa delegação do agora extinto ICEP Portugal, depressa comecei a aspirar a uma carreira internacional.

Mesmo na recta final da licenciatura arranjei emprego em terras lusas e, ao fim de um mês, já tinha encontrado um segundo emprego mais aliciante.

Depois de ano e meio surgiu um novo desafio e abracei um projecto internacional.

Eis que vim então para Moçambique durante 1 mês...

Vista do Hotel Cardoso sobre Maputo


As patuscadas dos moçambicanos na praia


A primeira refeição no restaurante Costa do Sol


Mural à entrada da cidade


Hotel Cardoso