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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

A melhor festa do mundo!

Saí de Portugal com o espírito completamente contaminado, cheio de emoções transmitidas sobre o Carnaval da Bahia.
Relatos emocionantes sobre uma festa gigantesca nas ruas, com a duração de uma semana, com milhões de pessoas, com trios eléctricos, com os melhores artistas brasileiros, com mulheres bonitas, com muita alegria e loucura, encheram-me a mente de imagens e já só pensava numa forma de lá ir parar.
Este foi o resultado da lavagem cerebral, não intencional, provocada por um colega de trabalho, obviamente brasileiro!

Já em São Paulo, dei umas surfadas na ciber-realidade, à procura de voos baratos para Salvador. Depressa desanimei! Mais valia deixar o meu espírito sofrer da contaminação, até que os anti-corpos conseguíssem sair vitoriosos, do que comprar o medicamento caríssimo para o qual não conseguía encontrar genérico.

Então, quando já não tinha a mínima esperança de tirar a prova dos nove, e verificar pessoalmente se os relatos eram verdadeiros, eis que surge uma oportunidade de trabalho em Salvador, mesmo na semana do Carnaval!

O Universo é mesmo fantástico, e a Lei da Atracção a mais sublime das suas leis.

"Sorria, você está na Bahia!"
Foi este o slogan que me deu as boas vindas no aeroporto.
Depois de apanhar a mala, logo me ofereceram uma fitinha. "Lembrança do Senhor do Bonfim da Bahia", dizia. Depois de tudo o que estava a acontecer, ainda tinha direito a pedir desejos? Pois bem, assim foi.

"- Não podes tirar a fitinha até ela cair, ou os teus desejos não se realizarão. Não podes contar a ninguém os teus desejos. Podes pedir até 3 desejos. Deve ser dado um nó para cada desejo." - foram estas as palavras do camarada que fez a cortesia de me ir buscar ao aeroporto.

Há cada coisa! Sem nada dizer, deram-me tantos nós na fitinha, como os desejos que pedi. Só podia ser um bom presságio.

Depois do almoço, fomos comprar os abadás - t-shirts de manga caviada, que são os bilhetes para o Carnaval de Salvador.
Cada bloco e camarote tem o seu próprio abadá, um diferente para cada dia da folia.
Tinha feito o trabalho de casa, e tinha já algumas ideias sobre os blocos em que queria sair. O de bloco de Terça-feira foi de fácil escolha: Bloco Skol D+, com Fat Boy Slim e David Guetta.

Neste primeiro dia, o destino quis que acabasse por me estrear no Carnaval sozinho. Então, para apalpar terreno, decidi ir para um camarote com varanda para o percurso Barra/Ondina (marginal de Salvador da Bahia). Mal entrei fui directo à varanda. A vista emocionou-me... Na marginal, na praia, havia gente por todo o lado. Todos animados, a dançar e festejar ao som da música. Que visão, que festão!
No mesmo instante, decidi que no dia seguinte era na rua, onde estava a verdadeira animação, que queria estar.

Assim foi... No dia seguinte, acordei pouco antes do meio-dia, e fui à procura de um Abadá. Depois de um estudo de mercado cuidadoso entre os cambistas, comprei o abadá para o bloco da Coruja (Ivete Sangalo).

Os blocos consistem de 1 trio eléctrico (camião com palco montado na cobertura para a banda actuar, e sistema de som a toda a volta), e um camião de apoio (com bar, quartos de banho, e primeiros socorros). Uma corda delimita a área do bloco que envolve os dois camiões, segurada por inúmeros cordeiros, rapazes novos que seguram a corda e asseguram que ninguém sem abadá entra no bloco. Dentro do bloco, espalhados, vários seguranças vigiam os foliões, e escoltam para fora do bloco vendedores de bebida ambulante, ou infiltrados sem abadá.

Entre o trio eléctrico e o camião de apoio, ao longo de todo o percurso, estavam dois bares ambulantes, carregados de bebida e refrigerados com kilos gelo. Todos os bares iam sendo estrategicamente reabastecidos ao longo do percurso.

Quanto à segurança, a partir de inúmeros postos de vigia, localizados estrategicamente e elevados acima da multidão, a polícia militar assegurava a segurança da festa. Com milhões de pessoas nas ruas, tudo dava provas de ter sido pensado, e a logística preparada ao pormenor.
Nota 10 para a organização.


O percurso durou 6 horas. A Ivete, incansável, manteve a "galera" sempre em alta.


Milhões de pessoas nas ruas, todas a curtir a festa... foram momentos indescritíveis.




Precisei de uns valentes beliscões para acreditar que tamanha festa seria possível!



Muito calor humano, animação no máximo, boa música... tudo perfeito.


O Carnaval da Bahia não é para fracos. É preciso espírito e muita energia. No final dos meus 3 dias consecutivos de festa, só tinha uma ideia em mente: voltar no próximo ano, de preferência com um grupo de amigos.




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Carnaval (Parte II)

Os desfiles são uma competição, levada muito a sério pelos participantes.

Antes do desfile, cada um dos participantes é sujeito a uma vistoria. Se a fantasia não cumprir os requisitos mínimos, o participante não pode desfilar.

Cada escola tem 60 minutos para desfilar. Ultrapassado o tempo regulamentar, a escola é penalizada.





Grandiosos e coloridos, os carros alegóricos são certamente os elementos mais espectaculares dos desfiles. Há escolas que chegam a desfilar com 5 carros.


Fantasia, Harmonia, Evolução, Samba, Alegorias e Adereços, são várias as características avaliadas na competição.


Para cada uma das características avaliadas, há vários elementos do júri, espalhados ao longo da passarela em pontos estratégicos.




Há inúmeros coordenadores no meio dos figurinos, cuja missão é mantê-los organizados, dando indicações, para garantir que avançam no ritmo certo, e que não ultrapassam o tempo limite.





Os carros são alimentados por geradores que seguem no seu encalço, e todos são movidos a força humana, empurrados por pequenos batalhões de homens.


Toda a música é tocada e cantada ao vivo. Cantores, banda e bateria, todos atravessam a passarela.

A bateria sai na frente do desfile, parando no meio da passarela entre as bancadas, onde continua a tocar até passar quase toda a escola. Já quase no final, sai para terminar o desfile com o resto da escola.



Sem dúvida, um acontecimento memorável.

(As fotos e videos neste post, são das escolas Águia de Ouro e Tom Maior.)

Carnaval (Parte I)

Estar no Brasil pela altura do Carnaval, é daquelas oportunidades que não podem ser desperdiçadas.

Depois do expediente, juntamente com os colegas de trabalho, lá nos dirigimos para o Sambódromo paulista.
À chegada, trânsito infernal. De todos os lados, a pé, ou em autocarros, apareciam pessoas fantasiadas, das mais variadas idades.

Por cima da vedação, avistávamos os carros alegóricos. Gigantescos, e de uma qualidade impressionante.
No final do recinto, já organizadas, em fila, entravam as escolas de samba.
Ficamos logo entusiasmados para entrar e assistir aos desfiles. Quanto mais não fosse pelas rainhas que encontrámos, com corpos esculturais, e sem nada a esconder!

Esta foto deve aumentar as visitas masculinas do Life Trips!

Dirigimo-nos então às bilheteiras:
"- Temos apenas um ingresso, para um camarote, por 1500 reais."
Uma loucura!

Restava-nos apenas encontrar um cambista. Cambista é quase uma profissão no Brasil, só lhes deve faltar ser sindicalizados. Vendem bilhetes para qualquer tipo de evento, e parecem safar-se bem.

Cambista: - 200 reais cada ingresso.
13inary: - 200 reais pelos 4.

Adoro negociar, fruto de um curso intensivo tirado numas férias em Marrocos, e do mestrado tirado em Moçambique.
Depois de algumas trocas de números, lá consegui os bilhetes por 100 reais cada. Tendo em conta a situação, acho que não foi um mau negócio.
E é claro, o cambista ainda me deu o seu cartão de visitas. Que profissionalismo!

Depois de "arrastar" o cambista até à entrada, não fossem os bilhetes ser falsos, entrámos, e logo procurámos um lugar na arquibancada.
Tinha acabado de começar a passar a escola de samba Unidos de Vila Maria.
O ambiente estava animado. O público cantava e sambava, ao som da música da escola.

Eis que passa o primeiro carro alegórico.
Fiquei completamente embasbacado!
Os carros eram gigantescos, mais altos do que as arquibancadas, as fantasias super coloridas, e os figurinos imensos.
Subitamente esqueci os 100 reais que tinha pago! Valeram bem a pena.



Quem é que nunca viu, os desfiles do Rio de Janeiro na televisão?
Ver na tv é completamente diferente de viver ao vivo.
Ainda assim, aqui ficam os vídeos:











Cada escola que desfila tem um enredo. O enredo da Unidos de Vila Maria era “Irashai-Mase [bem vindo, em japonês], Milénios de Cultura e Sabedoria no Centenário da Imigração Japonesa”, uma homenagem aos imigrantes japoneses no Brasil.



Sexta, dia 1 de Fevereiro, foi o primeiro dia dos desfiles em São Paulo.
Unidos de Vila Maria foi a terceira escola da noite a desfilar. Assistimos ainda ao desfile de mais 2 escolas, Águia de Ouro e Tom Maior, até decidirmos ir embora, já depois das 4h da manhã.
A última escola terminou o desfile depois das 8h.


Todas as fotos e vídeos neste post são da escola Unidos de Vila Maria, à excepção da rainha!




Achei o máximo ver pessoas em cadeiras de rodas a desfilar.


E já no final, a bateria: